Operação da Polícia Federal mira deputado Mario Frias e produtora de cinebiografia por desvio de emendas

11 de setembro de 2026
Foto: Reprodução da Internet

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (10) a Operação Make Up, voltada para a apuração de supostos desvios de recursos públicos por meio de emendas parlamentares repassadas a entidades e empresas privadas. Entre os principais alvos das apurações estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora cultural Karina Gama. Frias atua como roteirista e produtor-executivo do longa-metragem Dark Horse, obra produzida por Karina que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ação ostensiva foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo que apura irregularidades na destinação e execução de emendas parlamentares. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão distribuídos por endereços localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. As diligências alcançaram sedes de entidades vinculadas à produtora, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

As investigações policiais apontam a existência de uma suposta organização criminosa voltada ao uso irregular de verbas públicas sem a devida prestação de contas, com ocorrências registradas até o mês de julho deste ano. A corporação apura a prática de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa, estimando que o volume de recursos sob suspeita alcance a cifra de centenas de milhões de reais.

Enquanto a Operação Make Up corre sob a condução do ministro Flávio Dino no STF, outro desdobramento relacionado ao financiamento do mesmo projeto audiovisual tramita em paralelo na Corte sob a relatoria do ministro André Mendonça, responsável pelo caso Banco Master. Esse processo específico analisa o repasse de R$ 61 milhões realizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme, após citações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). À época da divulgação das informações, o parlamentar negou qualquer irregularidade ou contrapartida, afirmando que o financiamento do longa pautou-se exclusivamente em captações privadas.

As assessorias do deputado Mario Frias e da produtora Karina Gama foram procuradas pela reportagem para se manifestarem sobre as buscas realizadas pela Polícia Federal, mas ainda não enviaram posicionamento oficial.